Demo Days reúne mais de 150 demos de jogos independentes entre 31 de julho e 7 de agosto

A Six One Indie realizará, entre os dias 31 de julho e 7 de agosto, a primeira edição do Demo Days, iniciativa voltada à divulgação de jogos independentes por meio de demonstrações gratuitas. Durante o evento, os jogadores poderão experimentar mais de 150 títulos em desenvolvimento e adicionar seus favoritos à lista de desejos.

Criado para ampliar a visibilidade de estúdios e publicadoras independentes fora dos grandes festivais de demos, o Demo Days passa a integrar o calendário oficial da Six One Indie ao lado de seus tradicionais showcases. Segundo a organização, todos os jogos participantes foram selecionados sob a condição de não utilizarem inteligência artificial generativa em nenhuma etapa do desenvolvimento.

A programação terá início em 31 de julho, às 13h (horário de Brasília), com uma apresentação em vídeo no canal oficial da Six One Indie no YouTube, destacando alguns dos jogos participantes e parceiros do evento, entre eles Soft Source, FURYU Corporation, Wired Productions, Digital Bandidos, Lenya Digital e 13AM Games.

Após a transmissão, as demonstrações estarão disponíveis para download até 7 de agosto, permitindo que o público conheça novos projetos independentes antes do período de lançamentos dos principais títulos da indústria.

Além do Demo Days, a Six One Indie também promove iniciativas como o Six One Indie Showcase e o Indie Game Awards, eventos dedicados à divulgação e valorização de desenvolvedores independentes e seus projetos. Para mais informações, acesse o site oficial.

Gospel Drift abre acesso antecipado da demo para criadores de conteúdo antes do lançamento público

A desenvolvedora independente RETROMAGINE anunciou o início de uma fase de acesso antecipado exclusivo para a demo de Gospel Drift, seu novo jogo de corrida arcade com combate e temática demoníaca que será lançado para PC via Steam. Neste primeiro momento, apenas criadores de conteúdo e influenciadores convidados poderão experimentar o título.

Segundo o estúdio, uma quantidade limitada de chaves da Steam está sendo disponibilizada para produtores de conteúdo interessados em apresentar o jogo ao público antes da liberação da demonstração para todos os jogadores. A iniciativa também servirá para reunir feedback da comunidade e avaliar o momento ideal para lançar a demo de forma pública.

Gospel Drift
Gospel Drift

Em Gospel Drift, os jogadores assumem o controle de uma avó que percorre o inferno dirigindo um carro possuído. A missão é atravessar cenários infestados por demônios, eliminando inimigos em alta velocidade enquanto realiza derrapagens e utiliza o veículo como arma.

Os adversários derrotados liberam almas, recurso utilizado para aprimorar o automóvel ao longo da partida. Conforme o progresso, o carro se torna mais rápido e destrutivo, enquanto novos desafios surgem, incluindo veículos demoníacos, grandes hordas de inimigos e chefes capazes de colocar um fim à corrida.

Entre os destaques de Gospel Drift estão a jogabilidade focada em derrapagens de alta velocidade, combate veicular, progressão baseada na coleta de almas e uma experiência arcade marcada pelo ritmo acelerado e pela ação constante. Para mais informações, acesse a página do game na Steam.

Abaixo tem o trailer de Gospel Drift:

Review: Infinitevania, o metroidvania brasileiro que merece sua atenção

Se você, como jogador, pudesse homenagear um gênero e um jogo e, nessa homenagem em formato de videogame, colocasse um humor afiado, uma excelente trilha sonora, inimigos irritantes na medida certa para tornar a experiência desafiadora e batalhas contra chefes de tirar o fôlego, certamente usaria Symphony of the Night e Hollow Knight como base, certo? Se a resposta for sim, eis aqui essa homenagem.

Infinitevania é um jogo de busca e ação, ou search action. Para os mais chegados, um metroidvania. Trata-se do primeiro jogo da JHT Games, um estúdio pequeno que realizou um trabalho gigantesco. O desenvolvimento durou cinco anos. O projeto nasceu durante uma game jam e agora está disponível na Steam.

A trama é simples. Você controla um rapaz chamado Garoto. Certo dia, o jovem recebe uma ligação informando que sua mãe, que estava em coma, finalmente acordou. Ele sai apressado para ir ao hospital. Porém, ao abrir a porta de casa, encontra inexplicavelmente um portal que o leva para Infinitevania. Ao chegar lá, conhece um ancião que, no melhor estilo Mestre dos Magos, passa a orientá-lo em sua jornada para encontrar a saída daquele lugar misterioso.

A história é previsível, mas conquista pelo carisma dos personagens, pelos diálogos engraçados, pelas referências a diversas obras e por entregar conclusões satisfatórias. Para compreender melhor o mundo do jogo, é possível encontrar diários espalhados pelo mapa. O melhor de tudo é que coletar todos rende uma grata surpresa. Pode acreditar: vale muito a pena.

Além de expandirem a narrativa, os diários trazem mais detalhes sobre o mundo, os personagens e as criaturas. Os textos são muito bem escritos e enriquecem bastante o universo do jogo.

Exploração e combate na medida certa, mas exagera nas recompensas

O jogo é dividido em áreas, e Infinitevania funciona como um lobby que dá acesso a todas elas, além de concentrar a loja e o ponto de salvamento. Esses cenários variam entre uma floresta, uma espécie de vulcão chamado Ignarok e o Castelo de Etrom, que é facilmente a melhor área do jogo.

Totalmente inspirada no castelo do Drácula, essa região arranca sorrisos a cada referência e ainda reserva um segredo no final que fará o jogador sorrir e passar muita raiva na mesma medida. Trata-se de um caminho extremamente ardiloso, provavelmente o maior desafio do jogo. Fiquem tranquilos: ele é opcional. Porém, será obrigatório para quem pretende platinar.

Nessas áreas existem diversos desafios que vão desde inimigos e sequências de plataforma até enigmas. Inclusive, um deles tem sua solução na própria página da Steam. Quem é experiente em metroidvanias sabe que o básico precisa funcionar muito bem para que a experiência seja satisfatória. A boa notícia é que tudo aqui é muito bem executado.

As áreas apresentam um excelente design de fases, justificando a exploração e recompensando o jogador com recursos que, na maior parte do tempo, são úteis. O problema é que, conforme a aventura avança, a quantidade de recompensas se torna exagerada. Frequentemente, você encontra artefatos, pedaços de coração para aumentar a vida ou espíritos que concedem habilidades valiosas. Além disso, há a moeda do jogo, obtida ao derrotar inimigos, destruir objetos ou coletar cristais.

O excesso desse recurso faz com que o jogador acumule rapidamente dinheiro suficiente para comprar praticamente tudo, tornando a aventura muito mais fácil do que deveria. Uma possível solução seria adotar um sistema em que o jogador perdesse toda a moeda ao morrer, nos moldes de Hollow Knight, ou simplesmente reduzir a quantidade de dinheiro distribuída ao longo da campanha.

O combate é claramente inspirado em Hollow Knight. Digo isso principalmente pelo sistema de cura, mas a movimentação e os combos remetem ao clássico da Konami. O protagonista carrega um artefato que permite recuperar a vida e que pode ser aprimorado tanto por meio da exploração quanto por compras na loja. Além disso, o jogo oferece habilidades clássicas do gênero, como pulo duplo e dash.

Mas não para por aí. Existe também um sistema de espíritos. São almas que o protagonista encontra durante a aventura e que concedem novas habilidades ou aprimoram atributos. Esses espíritos podem ser equipados e possuem diferentes níveis de qualidade, exigindo que o jogador aumente sua capacidade de artefatos para utilizar os mais poderosos.

Um jogo feito com muito carinho

A pequena equipe responsável pelo projeto sabe exatamente onde encaixar cada referência, cada linha de diálogo e cada música. São esses detalhes que fazem de Infinitevania um jogo para guardar com carinho.

Embora o elenco seja pequeno, todos os personagens cumprem muito bem seu papel. Seja o protagonista, um pouco marrento, o ancião, a bibliotecária, que possui um excelente design inspirado no anime Dandadan, ou Etrom, todos foram escritos para proporcionar bons momentos ao jogador.

A trilha sonora merece um destaque especial. O trabalho de Tatyana Jacques é simplesmente excelente. O jogador percebe facilmente as inspirações utilizadas na composição, mas tudo é tão bem encaixado que o resultado são melodias marcantes, capazes de dar ainda mais personalidade à aventura. É um conjunto que combina perfeitamente com a proposta do jogo.

As batalhas contra chefes também estão entre os grandes acertos. São confrontos divertidos, empolgantes e que exigem bons reflexos. O jogador precisa observar atentamente os padrões de ataque para encontrar as brechas certas e sair vitorioso.

Também não posso deixar de comentar sobre a dublagem. O mais interessante é que até os golpes possuem falas. O protagonista grita “Bola de Fogo!”, enquanto Tenroh, uma das chefes, anuncia o nome de seus próprios ataques. Em determinados momentos, tive até a impressão de que ela se cansava de repetir as mesmas falas e passava a pronunciá-las sem entusiasmo, o que acaba sendo bastante engraçado.

Além disso, há vozes muito marcantes e a participação do influenciador Damiani como dublador do vendedor Nilbog. Ele entrega uma atuação divertida, repleta de piadas voltadas ao público gamer, combinando perfeitamente com o humor do jogo.

Conclusão

De modo geral, Infinitevania é um jogo muito fácil de recomendar. Inclusive, funciona como uma porta de entrada para drogas. Quer dizer, para metroidvanias mais pesados. Tudo o que ele faz pode ser encontrado em diversos outros jogos do gênero, mas a experiência aqui tem um tempero que dificilmente outro estúdio conseguiria reproduzir.

Existe um carinho evidente em cada detalhe, desde os diálogos e as referências até a trilha sonora e o design das áreas. A JHT Games não tenta reinventar a fórmula. Ela entende muito bem por que ela funciona e a executa com competência. O resultado é um jogo divertido, carismático e que mostra que, às vezes, um arroz com feijão muito bem-feito é tudo o que um bom jogo precisa para conquistar seu espaço.

NOTA: 8

Texto por: Victor Cândido