Grupo de voluntários do Gabinete do Amor criam webgames para a campanha de Guilherme Boulos

As eleições de São Paulo chegam ao fim neste final de semana e a candidatura de Guilherme Boulos e Bruno Covas agitam as redes sociais. Uma das peças de campanha mais interessantes é do candidato do PSOL: o game Boulos Radical. Trata-se de um game criado por membros do “Gabinete do Amor”, que visa dar ainda mais visibilidade ao candidato.

A ideia surgiu após uma fala do influenciador Felipe Neto. “O Felipe Neto publicou uma montagem do Boulos num skate, dizendo que era isso que ele pensava quando chamavam o candidato de radical. Daí veio a ideia desse Boulos radicalizando em cima do skate”, explica CrisVector, que fez todas as ilustrações do game.

Em Boulos Radical, o jogador precisa desviar de fake news, tucanos, mosquitos e outros adversários que tentam atrapalhar sua vitória na eleição. Ainda no primeiro turno, a mesma equipe voluntária tinha feito o game, no qual o candidato, como um super-herói, passa por obstáculos nos bairros de toda a cidade para virar o jogo.

Boulos Radical se mostra um infinite runner bastante simples, em que o jogador deve apertar o botão do mouse para dar pulos ou pulos duplos para desviar dos obstáculos. Quanto mais avança, mais perto da vitória fica. Ao longo dos cenários, surge a vice, Luiza Erundina para dar apoio ao jogador.

Já o Super Boulos é igualmente simples e utiliza a mesma estética e jogabilidade. Basicamente você deve pular de bairro em bairro para conquistar os votos e o coração dos eleitores. Ambos os títulos são gratuitos e podem ser jogador através do navegador.

Jogos: boulosradical.com e superboulos.com

Crônicas gamer anos 1990. Por que Final Crash? Não seria Final Fight?

O ano era 1992. O meu colega, Quitão, chega repentinamente. Há tempos não o via, pois nos tínhamos desentendido em uma briga na locadora de games da esquina. Disse que tinha algo urgente a dizer. O menino era um ano mais velho que eu, morava de frente ao campinho de bola do outro quarteirão. Naquele tempo, havia a turminha dos quarteirões, que não se misturavam, mas, de vez em quando, pegávamos a Caloi Cross (só tinha dois modelos: roxa ou verde limão) e fazíamos umas pesquisas de campo, para se enturmar.

– Cara, lá no bar do Bilão tem um jogo chamado Briga de Rua. Vamos lá ver – disse Quitão.

Estranho pensar nessa história. Quase trinta anos passados e o local do boteco ainda existe. Embora transformado em outra coisa, imagino que aquela árvore e as telhas do bar de bebum testemunharam todo esse passar de tempo. Lembro que o bar era vermelho e o orelhão era aquele amarelo horroroso da antiga Telesp.

Enfim, eu não tinha nada para fazer naquela tarde. Peguei a Caloi Cross e cruzamos a cidade (na verdade, foram apenas quinze esquinas). Era uma cidade do interior de SP, tinha seus 40.000 habitantes à época, hoje, passou cem mil faz um tempo).

Chegamos no boteco, frente ao hospital da cidade. A primeira imagem do local não foi uma imagem, mas o cheiro de coxinha e salsicha em conserva (tão mnemônico ao voltar na minha mente hoje), misturado com cheiro de baralho, cigarro (era preciso se acostumar ao caos tabagístico dos anos 90), um pouco de cerveja seca pelo chão, paredes impregnadas de sujeita, uma sinuca, pouca luz e, ao fundo, uma máquina brilhante, gigante, com um sistema de som melhor que o meu System 3 em 1 da época. Daquela cabine brilhante e barulhenta emanava uma coisa que me encantou e vi que nunca mais sairia da minha cabeça.

Fonte: Cool Rom 

Aquele fliperama era uma obra dos deuses. Nunca tinha visto movimentação e efeitos sonoros de porradaria tão realistas. Tinha um cara vermelho e esguio (seria um ninja de rua?) que dava uma giratória em tambores que se liquefaziam no ar (gritava: rááááá), após um cara cabelo rastafari sair com uma mulher raptada no colo, que mais parecia um bebê, pela desproporção do cara de amarelo, aparentemente com dois metros e meio. O nome do jogo: Final Crash. De fato, ninguém ligava para o nome do jogo, até a pronúncia me soa estranha, uma vez que todos falavam em jogar o tal do Briga de Rua com o loirinho (Cody), pois ele permitia fazer uma apelação que hoje faz dos speedrunners que dominam a técnica os mais rápidos para finalizar este jogo.

Depois desse dia, fiquei imaginando a chance que teria de comprar uma ficha para jogar. Será que eu passaria do primeiro chefão? Será que chegaria na fase do ringue? Daria muitos pilões com o Haggar? Somente nessas fantasias, foram algumas semanas de visita ao boteco, sempre com minha bike cross, apenas para ver os caras jogando, geralmente, caras que já trabalhavam e tinham uma graninha para as fichas, que não eram tão baratas, sobretudo com o Plano Cruzeiro e os inúmeros cortes no zero das notas de 50.000 e 10.000 Cruzeiros, indo até o infinito de zeros.

Certo dia, em casa, falei desse jogo para o meu pai. Em uma das entregas que ele fazia de caminhão, pedi para passar nesse boteco. Como ele curtia uma cervejinha de vez em quando, acho que pensou: – Por que não dar uma parada, tomar uma cerveja com paçoquinha (e foi exatamente isso que ele fez; uma das imagens de que mais me lembro é a dele, esperando para comprar-me uma ficha com uma Malzbier pequena em uma mão e uma paçoquinha top na outra, enquanto falava de boca cheia, saboreando a feliz combinação amarga e doce). Ganhei a ficha e fiquei empolgadíssimo para lhe mostrar como dar o golpe do pilão do Haggar. Ele se mostrava impressionado, mas geralmente, era para as morenas que passavam na rua. Enfim, cheguei no tal do ringue do cara com duas espadas e fantasia de NFL (não, acho que essa era do Street Fighter Zero, enfim, uma espécie de Samurai americano); e ali meu coração disparou, mas não deu, Sodom me deu uma espadada no salto equívoco e lá se foi minha única ficha que teria nos próximos dois meses.

Passaram-se quinze anos, em 2007, eu, na faculdade com meu amigo, falando sobre a moda dos emuladores e eu lhe contei essa estória. Dizia-me que não conhecia esse tal de Final Crash. Embora eu não tivesse visto nenhum vídeo sobre (o Youtube despontaria no Brasil somente em 2008), tinha certeza de que o segundo nome era Crash e não Fight, pois a logomarca do game está estampada na minha mente até hoje. Ele elucubrou um pouco e foi para o polo computacional da faculdade. Lá, pesquisou que havia versões alternativas de jogos, mas pirateados com estilo, cujo nome são bootleg. Sim, depois de quinze anos, descobri que o Brasil foi terra de ninguém para diversos setores de games, e que, para conseguir trazer certos jogos, era necessário fazer das tripas coração para conseguirmos jogar um ou outro jogo nos fliperamas (o pior é que geralmente com atraso de anos aqui para o Brasil… nunca foi muito diferente com as tvs em cores, com os telefones fixos, com os celulares, com os computares… e a lista vai longe…) mas o que importa é que tínhamos em uma cidadezinha do interior com o Final Crash, bootleg de uma das maiores pérolas do Beat´n up de todos os tempos: Final Fight.


Referências:

COOLROM.COM. Final Crash (bootleg or Final Fight). Disponível neste link.  Acesso em 10 nov. 2020.

YOUTUBE. Final Crash (Bootleg of Final Fight) (Arcade) – (Longplay – Guy | Hardest Difficulty). Usuário TurkishBullet19. Disponível neste link. Acesso em 10 nov. 2020.

Lugar de Jogo – SESC destaca interfaces entre Jogo, Arte e Cultura em novo projeto

Atenção moradores de São Paulo: o SESC Av. Paulista acaba de iniciar o projeto “Lugar de Jogo“, uma parceria com a GameArte para disponibilizar games para download no computador, além de um ciclo de debates no @cpfsesc (vagas esgotadas), que discute o papel dos jogos eletrônicos além da indústria do entretenimento. De acordo com os organizadores, serão quatro jogos por mês, durante três meses, para download gratuito na plataforma Sesc Digital.

O projeto Lugar de Jogo já está no ar e nessa primeira leva há games que visam debater temas bastante atuais. Você pode revisitar hobbies antigos numa quarentena virtual paralela, defender a Amazônia, discutir identidade de gênero e ainda construir mundos de maneira sustentável.
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Esta perspectiva de análise dos jogos é proposta em dois eixos de atividades: o primeiro se dá por meio de um ciclo de debates, organizado pelo Centro de Pesquisa e Formação, que propõem discussões sobre o papel dos jogos enquanto elemento de (re)produção da cultura em nossa sociedade, e como é possível utilizá-los como ponto de partida para discutir educação, identidade de gênero e outras temáticas.

O segundo eixo se dá pela disponibilização de uma seleção de jogos nacionais independentes, na plataforma do Sesc Digital, que, cada um à sua maneira, se coloca como um espaço de reflexão e expressão de seus criadores, abordando temáticas e pensares que não possuem espaço na produção mainstream de jogos eletrônicos. A partir da interatividade e protagonismo que os jogos propiciam aos jogadores, eles propõem um contato diferenciado com temáticas como preservação ambiental, solidão, entre outras.

Abaixo você confere os quatro jogos que compõe a primeira leva do Lugar de Jogo:

BRIGHT DAYS IN QUARANTINE (DIAS BRILHANTES NA QUARENTENA) – Delta Arcade – Niterói/RJ

Sinopse: Num mundo onde você precisa ficar em casa para ajudar a combater uma terrível pandemia, revisite hobbies antigos e encontre prazer nas pequenas coisas em um jogo de ritmo frenético. Caso contrário, você enlouquece! É difícil se adaptar às drásticas mudanças em nossas vidas diárias em um mundo onde a maioria de nós precisa ficar em casa para ajudar a combater uma pandemia. Não é fácil manter a casa em ordem durante a quarentena, especialmente quando você também tem que trabalhar em casa. Nesse furação de tarefas domésticas e intermináveis videoconferências, a única coisa que nos resta é revisitar hobbies antigos e encontrar alegria nas pequenas coisas do dia a dia.

FLORESCER – PugCorn – São Paulo/SP

Sinopse: Florescer é um serious game narrativo desenvolvido pela PugCorn em parceria com a Casa de Acolhida a Mulheres Transsexuais e Travestis Florescer. O jogo tem o objetivo de provocar a reflexão e causar empatia para com as pessoas trans, colocando jogadores no papel de uma adolescente trans e mostrando as dificuldades e os preconceitos presentes em seu cotidiano. Bia, a protagonista, é uma adolescente trans do ensino médio que acabou de se mudar para uma cidade nova. Ela tem paixão por desenhar roupas e um humor sarcástico, e convive principalmente com pessoas do meio familiar e da escola.

GARDENIA – Enric Llagostera – Campinas/SP

Sinopse: Gardenia é um jogo de criação de pequenos mundos. É um jogo minimalista com um ritmo contemplativo e de experimentação sobre natureza, extrativismo e controle.

GUARDIÕES DA AMAZÔNIA – WolfTiger – Curitiba/PR

Sinopse: Guardiões da Amazônia é um jogo estilo tower defense, em que o jogador defende a floresta, controlando fauna, flora e lendas. Proteja a floresta das investidas de caçadores, agroquímicos e incendiários que querem desmatar e explorar a floresta amazônica!

 

Mais informações sobre o projeto aqui.