Deified combina batalhas por turnos e gerenciamento de relíquias em novo roguelite

O estúdio francês Unexpected e a publicadora Goblinz Publishing lançaram Deified, um roguelite tático por turnos disponível no Steam. O jogo coloca o jogador no controle de Sator em uma jornada contra sete chefes, utilizando relíquias e diferentes combinações de habilidades para superar os desafios de cada partida.

A história gira em torno do Ouro do Reno, que foi corrompido pelos chamados Senhores para criar relíquias extremamente poderosas. Sator parte em busca dessas figuras para recuperar o ouro e impedir que suas criações continuem causando destruição.

Deified
Deified

A principal mecânica de Deified está na administração das relíquias. Os artefatos podem ser restaurados a partir da combinação de fragmentos idênticos e também podem gerar efeitos adicionais quando itens do mesmo tipo são reunidos. Dessa forma, a construção do conjunto de relíquias influencia diretamente as estratégias disponíveis durante as batalhas.

Outro elemento importante são os slots utilizados para equipar os artefatos. Cada espaço apresenta vantagens e desvantagens próprias, obrigando o jogador a considerar não apenas quais relíquias utilizar, mas também onde posicioná-las. O sistema substitui recursos tradicionais de jogos táticos, já que Deified não utiliza mana, pontos de ação ou tempos de recarga.

Deified
Deified

Durante as partidas, também é possível avançar por árvores de habilidades e desbloquear novas salas, ampliando as possibilidades de cada tentativa. Os sete chefes possuem maldições específicas capazes de alterar as condições dos confrontos e exigir mudanças na estratégia adotada.

Deified já está disponível para PC via Steam por R$ 53,49. O jogo recebe 10% de desconto durante as duas primeiras semanas após o lançamento.

Abaixo tem o trailer de Deified:

Review: Infinitevania, o metroidvania brasileiro que merece sua atenção

Se você, como jogador, pudesse homenagear um gênero e um jogo e, nessa homenagem em formato de videogame, colocasse um humor afiado, uma excelente trilha sonora, inimigos irritantes na medida certa para tornar a experiência desafiadora e batalhas contra chefes de tirar o fôlego, certamente usaria Symphony of the Night e Hollow Knight como base, certo? Se a resposta for sim, eis aqui essa homenagem.

Infinitevania é um jogo de busca e ação, ou search action. Para os mais chegados, um metroidvania. Trata-se do primeiro jogo da JHT Games, um estúdio pequeno que realizou um trabalho gigantesco. O desenvolvimento durou cinco anos. O projeto nasceu durante uma game jam e agora está disponível na Steam.

A trama é simples. Você controla um rapaz chamado Garoto. Certo dia, o jovem recebe uma ligação informando que sua mãe, que estava em coma, finalmente acordou. Ele sai apressado para ir ao hospital. Porém, ao abrir a porta de casa, encontra inexplicavelmente um portal que o leva para Infinitevania. Ao chegar lá, conhece um ancião que, no melhor estilo Mestre dos Magos, passa a orientá-lo em sua jornada para encontrar a saída daquele lugar misterioso.

A história é previsível, mas conquista pelo carisma dos personagens, pelos diálogos engraçados, pelas referências a diversas obras e por entregar conclusões satisfatórias. Para compreender melhor o mundo do jogo, é possível encontrar diários espalhados pelo mapa. O melhor de tudo é que coletar todos rende uma grata surpresa. Pode acreditar: vale muito a pena.

Além de expandirem a narrativa, os diários trazem mais detalhes sobre o mundo, os personagens e as criaturas. Os textos são muito bem escritos e enriquecem bastante o universo do jogo.

Exploração e combate na medida certa, mas exagera nas recompensas

O jogo é dividido em áreas, e Infinitevania funciona como um lobby que dá acesso a todas elas, além de concentrar a loja e o ponto de salvamento. Esses cenários variam entre uma floresta, uma espécie de vulcão chamado Ignarok e o Castelo de Etrom, que é facilmente a melhor área do jogo.

Totalmente inspirada no castelo do Drácula, essa região arranca sorrisos a cada referência e ainda reserva um segredo no final que fará o jogador sorrir e passar muita raiva na mesma medida. Trata-se de um caminho extremamente ardiloso, provavelmente o maior desafio do jogo. Fiquem tranquilos: ele é opcional. Porém, será obrigatório para quem pretende platinar.

Nessas áreas existem diversos desafios que vão desde inimigos e sequências de plataforma até enigmas. Inclusive, um deles tem sua solução na própria página da Steam. Quem é experiente em metroidvanias sabe que o básico precisa funcionar muito bem para que a experiência seja satisfatória. A boa notícia é que tudo aqui é muito bem executado.

As áreas apresentam um excelente design de fases, justificando a exploração e recompensando o jogador com recursos que, na maior parte do tempo, são úteis. O problema é que, conforme a aventura avança, a quantidade de recompensas se torna exagerada. Frequentemente, você encontra artefatos, pedaços de coração para aumentar a vida ou espíritos que concedem habilidades valiosas. Além disso, há a moeda do jogo, obtida ao derrotar inimigos, destruir objetos ou coletar cristais.

O excesso desse recurso faz com que o jogador acumule rapidamente dinheiro suficiente para comprar praticamente tudo, tornando a aventura muito mais fácil do que deveria. Uma possível solução seria adotar um sistema em que o jogador perdesse toda a moeda ao morrer, nos moldes de Hollow Knight, ou simplesmente reduzir a quantidade de dinheiro distribuída ao longo da campanha.

O combate é claramente inspirado em Hollow Knight. Digo isso principalmente pelo sistema de cura, mas a movimentação e os combos remetem ao clássico da Konami. O protagonista carrega um artefato que permite recuperar a vida e que pode ser aprimorado tanto por meio da exploração quanto por compras na loja. Além disso, o jogo oferece habilidades clássicas do gênero, como pulo duplo e dash.

Mas não para por aí. Existe também um sistema de espíritos. São almas que o protagonista encontra durante a aventura e que concedem novas habilidades ou aprimoram atributos. Esses espíritos podem ser equipados e possuem diferentes níveis de qualidade, exigindo que o jogador aumente sua capacidade de artefatos para utilizar os mais poderosos.

Um jogo feito com muito carinho

A pequena equipe responsável pelo projeto sabe exatamente onde encaixar cada referência, cada linha de diálogo e cada música. São esses detalhes que fazem de Infinitevania um jogo para guardar com carinho.

Embora o elenco seja pequeno, todos os personagens cumprem muito bem seu papel. Seja o protagonista, um pouco marrento, o ancião, a bibliotecária, que possui um excelente design inspirado no anime Dandadan, ou Etrom, todos foram escritos para proporcionar bons momentos ao jogador.

A trilha sonora merece um destaque especial. O trabalho de Tatyana Jacques é simplesmente excelente. O jogador percebe facilmente as inspirações utilizadas na composição, mas tudo é tão bem encaixado que o resultado são melodias marcantes, capazes de dar ainda mais personalidade à aventura. É um conjunto que combina perfeitamente com a proposta do jogo.

As batalhas contra chefes também estão entre os grandes acertos. São confrontos divertidos, empolgantes e que exigem bons reflexos. O jogador precisa observar atentamente os padrões de ataque para encontrar as brechas certas e sair vitorioso.

Também não posso deixar de comentar sobre a dublagem. O mais interessante é que até os golpes possuem falas. O protagonista grita “Bola de Fogo!”, enquanto Tenroh, uma das chefes, anuncia o nome de seus próprios ataques. Em determinados momentos, tive até a impressão de que ela se cansava de repetir as mesmas falas e passava a pronunciá-las sem entusiasmo, o que acaba sendo bastante engraçado.

Além disso, há vozes muito marcantes e a participação do influenciador Damiani como dublador do vendedor Nilbog. Ele entrega uma atuação divertida, repleta de piadas voltadas ao público gamer, combinando perfeitamente com o humor do jogo.

Conclusão

De modo geral, Infinitevania é um jogo muito fácil de recomendar. Inclusive, funciona como uma porta de entrada para drogas. Quer dizer, para metroidvanias mais pesados. Tudo o que ele faz pode ser encontrado em diversos outros jogos do gênero, mas a experiência aqui tem um tempero que dificilmente outro estúdio conseguiria reproduzir.

Existe um carinho evidente em cada detalhe, desde os diálogos e as referências até a trilha sonora e o design das áreas. A JHT Games não tenta reinventar a fórmula. Ela entende muito bem por que ela funciona e a executa com competência. O resultado é um jogo divertido, carismático e que mostra que, às vezes, um arroz com feijão muito bem-feito é tudo o que um bom jogo precisa para conquistar seu espaço.

NOTA: 8

Texto por: Victor Cândido

Montezuma’s Revenge celebra 40 anos com edição definitiva para consoles e PC

Quatro décadas após se tornar um ícone dos primeiros anos dos videogames, Montezuma’s Revenge retorna ao mercado em uma edição completamente renovada, que já pode ser encontrada no Nintendo Switch, PlayStation 4 e 5, Xbox One, Xbox Series X|S e também no Windows, por meio da Microsoft Store. A iniciativa reúne os estúdios independentes Mission Critical Studios, Handcrafted Mystical Games e Normal Distribution, sob publicação da Eastasiasoft, em um esforço conjunto para atualizar um dos clássicos mais conhecidos do gênero plataforma.

Lançado originalmente em 1983, o jogo marcou época com sua proposta de exploração em ruínas repletas de passagens perigosas, inimigos e armadilhas. A nova edição procura preservar essa essência, mas oferece uma experiência compatível com os padrões atuais, reconstruindo toda a aventura com gráficos em 3D e mantendo o estilo de jogabilidade em 2D que consagrou o título. O objetivo foi revitalizar o projeto original de Robert Jaeger, incluindo conteúdos que ficaram de fora na época e ampliando significativamente o tamanho da campanha.

A Edição de 40 Anos apresenta 100 salas para explorar, cada uma com desafios específicos, elementos de plataforma mais dinâmicos e colecionáveis que incentivam a revisitação de áreas. Pela primeira vez, o jogador pode escolher entre dois protagonistas – Pedro ou sua irmã Rosita –, ambos adaptados ao novo estilo visual sem comprometer o clima clássico da franquia. O resultado é uma aventura que equilibra nostalgia e modernização, oferecendo algo atraente tanto para veteranos quanto para novos jogadores.

Montezuma’s Revenge

A jogabilidade mantém o foco na precisão: correr, saltar, escalar e evitar armadilhas continuam sendo as principais habilidades do explorador. Os cenários foram atualizados para incorporar profundidade visual e efeitos modernos, mas sem interferir na estrutura mais rígida e desafiadora que caracterizava os jogos da época. Artefatos espalhados pelas ruínas ampliam o senso de progressão, e inimigos redesenhados tornam a travessia das câmaras ainda mais imprevisível.

Além da edição padrão, a versão para PC conta com o Montezuma’s Revenge 40th Anniversary Deluxe Edition, que inclui o jogo principal e o Director’s Cut. O Nintendo Switch também recebe um pacote especial que acompanha um drive USB para computador contendo essa versão estendida. O material adicional reúne conteúdos complementares que aprofundam a visão criativa por trás do jogo e ampliam a exploração.

Abaixo tem o trailer de Montezuma’s Revenge: