Review: Infinitevania, o metroidvania brasileiro que merece sua atenção

Se você, como jogador, pudesse homenagear um gênero e um jogo e, nessa homenagem em formato de videogame, colocasse um humor afiado, uma excelente trilha sonora, inimigos irritantes na medida certa para tornar a experiência desafiadora e batalhas contra chefes de tirar o fôlego, certamente usaria Symphony of the Night e Hollow Knight como base, certo? Se a resposta for sim, eis aqui essa homenagem.

Infinitevania é um jogo de busca e ação, ou search action. Para os mais chegados, um metroidvania. Trata-se do primeiro jogo da JHT Games, um estúdio pequeno que realizou um trabalho gigantesco. O desenvolvimento durou cinco anos. O projeto nasceu durante uma game jam e agora está disponível na Steam.

A trama é simples. Você controla um rapaz chamado Garoto. Certo dia, o jovem recebe uma ligação informando que sua mãe, que estava em coma, finalmente acordou. Ele sai apressado para ir ao hospital. Porém, ao abrir a porta de casa, encontra inexplicavelmente um portal que o leva para Infinitevania. Ao chegar lá, conhece um ancião que, no melhor estilo Mestre dos Magos, passa a orientá-lo em sua jornada para encontrar a saída daquele lugar misterioso.

A história é previsível, mas conquista pelo carisma dos personagens, pelos diálogos engraçados, pelas referências a diversas obras e por entregar conclusões satisfatórias. Para compreender melhor o mundo do jogo, é possível encontrar diários espalhados pelo mapa. O melhor de tudo é que coletar todos rende uma grata surpresa. Pode acreditar: vale muito a pena.

Além de expandirem a narrativa, os diários trazem mais detalhes sobre o mundo, os personagens e as criaturas. Os textos são muito bem escritos e enriquecem bastante o universo do jogo.

Exploração e combate na medida certa, mas exagera nas recompensas

O jogo é dividido em áreas, e Infinitevania funciona como um lobby que dá acesso a todas elas, além de concentrar a loja e o ponto de salvamento. Esses cenários variam entre uma floresta, uma espécie de vulcão chamado Ignarok e o Castelo de Etrom, que é facilmente a melhor área do jogo.

Totalmente inspirada no castelo do Drácula, essa região arranca sorrisos a cada referência e ainda reserva um segredo no final que fará o jogador sorrir e passar muita raiva na mesma medida. Trata-se de um caminho extremamente ardiloso, provavelmente o maior desafio do jogo. Fiquem tranquilos: ele é opcional. Porém, será obrigatório para quem pretende platinar.

Nessas áreas existem diversos desafios que vão desde inimigos e sequências de plataforma até enigmas. Inclusive, um deles tem sua solução na própria página da Steam. Quem é experiente em metroidvanias sabe que o básico precisa funcionar muito bem para que a experiência seja satisfatória. A boa notícia é que tudo aqui é muito bem executado.

As áreas apresentam um excelente design de fases, justificando a exploração e recompensando o jogador com recursos que, na maior parte do tempo, são úteis. O problema é que, conforme a aventura avança, a quantidade de recompensas se torna exagerada. Frequentemente, você encontra artefatos, pedaços de coração para aumentar a vida ou espíritos que concedem habilidades valiosas. Além disso, há a moeda do jogo, obtida ao derrotar inimigos, destruir objetos ou coletar cristais.

O excesso desse recurso faz com que o jogador acumule rapidamente dinheiro suficiente para comprar praticamente tudo, tornando a aventura muito mais fácil do que deveria. Uma possível solução seria adotar um sistema em que o jogador perdesse toda a moeda ao morrer, nos moldes de Hollow Knight, ou simplesmente reduzir a quantidade de dinheiro distribuída ao longo da campanha.

O combate é claramente inspirado em Hollow Knight. Digo isso principalmente pelo sistema de cura, mas a movimentação e os combos remetem ao clássico da Konami. O protagonista carrega um artefato que permite recuperar a vida e que pode ser aprimorado tanto por meio da exploração quanto por compras na loja. Além disso, o jogo oferece habilidades clássicas do gênero, como pulo duplo e dash.

Mas não para por aí. Existe também um sistema de espíritos. São almas que o protagonista encontra durante a aventura e que concedem novas habilidades ou aprimoram atributos. Esses espíritos podem ser equipados e possuem diferentes níveis de qualidade, exigindo que o jogador aumente sua capacidade de artefatos para utilizar os mais poderosos.

Um jogo feito com muito carinho

A pequena equipe responsável pelo projeto sabe exatamente onde encaixar cada referência, cada linha de diálogo e cada música. São esses detalhes que fazem de Infinitevania um jogo para guardar com carinho.

Embora o elenco seja pequeno, todos os personagens cumprem muito bem seu papel. Seja o protagonista, um pouco marrento, o ancião, a bibliotecária, que possui um excelente design inspirado no anime Dandadan, ou Etrom, todos foram escritos para proporcionar bons momentos ao jogador.

A trilha sonora merece um destaque especial. O trabalho de Tatyana Jacques é simplesmente excelente. O jogador percebe facilmente as inspirações utilizadas na composição, mas tudo é tão bem encaixado que o resultado são melodias marcantes, capazes de dar ainda mais personalidade à aventura. É um conjunto que combina perfeitamente com a proposta do jogo.

As batalhas contra chefes também estão entre os grandes acertos. São confrontos divertidos, empolgantes e que exigem bons reflexos. O jogador precisa observar atentamente os padrões de ataque para encontrar as brechas certas e sair vitorioso.

Também não posso deixar de comentar sobre a dublagem. O mais interessante é que até os golpes possuem falas. O protagonista grita “Bola de Fogo!”, enquanto Tenroh, uma das chefes, anuncia o nome de seus próprios ataques. Em determinados momentos, tive até a impressão de que ela se cansava de repetir as mesmas falas e passava a pronunciá-las sem entusiasmo, o que acaba sendo bastante engraçado.

Além disso, há vozes muito marcantes e a participação do influenciador Damiani como dublador do vendedor Nilbog. Ele entrega uma atuação divertida, repleta de piadas voltadas ao público gamer, combinando perfeitamente com o humor do jogo.

Conclusão

De modo geral, Infinitevania é um jogo muito fácil de recomendar. Inclusive, funciona como uma porta de entrada para drogas. Quer dizer, para metroidvanias mais pesados. Tudo o que ele faz pode ser encontrado em diversos outros jogos do gênero, mas a experiência aqui tem um tempero que dificilmente outro estúdio conseguiria reproduzir.

Existe um carinho evidente em cada detalhe, desde os diálogos e as referências até a trilha sonora e o design das áreas. A JHT Games não tenta reinventar a fórmula. Ela entende muito bem por que ela funciona e a executa com competência. O resultado é um jogo divertido, carismático e que mostra que, às vezes, um arroz com feijão muito bem-feito é tudo o que um bom jogo precisa para conquistar seu espaço.

NOTA: 8

Texto por: Victor Cândido

The Saint estreia no Steam em 30 de janeiro de 2026 e apresenta demo gratuita com ambientação de horror psicológico

O desenvolvedor independente Azzeddine Talha confirmou que The Saint, seu novo projeto de horror psicológico em primeira pessoa, será lançado no Steam em 30 de janeiro de 2026. Para antecipar a experiência, uma demonstração gratuita já está disponível na plataforma. O jogo aposta em uma combinação de atmosfera densa, narrativa fragmentada e cenários que operam na fronteira entre sonho, memória e delírio.

A proposta central de The Saint é conduzir o jogador a um ambiente dominado por neblina, silêncio e instabilidade. Inspirado em clássicos como Silent Hill, o título utiliza a estética de câmeras de baixa resolução e espaços liminares para criar a sensação de deslocamento contínuo. Nada permanece fixo: corredores se alongam sem lógica aparente, salas mudam de formato e a percepção do protagonista é constantemente colocada em dúvida. Em vez de sustos repentinos, o jogo constrói sua tensão por meio de estranhamento, ruídos distantes e detalhes que sugerem a presença de algo oculto.

The Saint

A narrativa acompanha um homem exausto após um dia de trabalho que, durante uma tempestade, sofre um acidente em uma estrada cercada por histórias de desaparecimentos. Ao recuperar a consciência, ele se vê isolado em um espaço que não corresponde ao mundo real. O cenário inicial dá lugar a um conjunto de corredores intermináveis, iluminados por luzes frágeis e envoltos em uma névoa espessa que reduz a visão do jogador. A partir desse ponto, o protagonista precisa explorar esse território instável, compreender os sinais deixados pelo ambiente e escapar de uma presença que nunca se revela completamente, mas cujo avanço é sugerido por pequenas alterações do cenário.

A jogabilidade se apoia em três pilares: exploração, resolução de enigmas e percepção. Os quebra-cabeças surgem como elementos que revelam camadas da história e aprofundam o mistério por trás da transformação do mundo. A exploração, por sua vez, é guiada por sons distantes, luzes intermitentes e espaços que se reorganizam a cada retorno. Já a percepção cumpre papel essencial, pois cabe ao jogador identificar quando uma ação, um objeto ou um ambiente sofreu alterações sutis que podem indicar tanto perigo quanto progressão narrativa.

The Saint

Outro destaque é o uso da estética de gravações VHS e câmeras corporais, que adiciona um ruído visual característico e reforça a sensação de isolamento. A combinação entre ruído de imagem, sombra e baixa nitidez faz com que cada ambiente pareça incompleto ou prestes a se desfazer, aumentando a tensão durante a exploração.

Com foco em atmosfera e imersão, The Saint se posiciona como uma experiência de horror psicológico que prioriza a construção de ambiente e o desconforto crescente. O jogo pretende atrair fãs de narrativas enigmáticas, experiências imersivas e títulos que exploram a fragilidade da percepção humana em mundos que se transformam a cada passo. Para mais informações, acesse a página do game na Steam.

Abaixo tem o trailer de The Saint:

Aventura investigativa Twilight Syndicate tem lançamento adiado no Steam; jogo será gratuito

O aguardado jogo de aventura Twilight Syndicate teve sua estreia adiada para o dia 28 de julho de 2025 na plataforma Steam. Com uma proposta centrada na investigação policial e na resolução de crimes internacionais, o título será lançado gratuitamente para PC. Versões para Xbox e Nintendo Switch também estão confirmadas, mas chegarão apenas nos meses seguintes.

No papel de um detetive novato da Interpol, o jogador é lançado em uma trama global marcada por mistérios, reviravoltas e uma rede criminosa que opera nas sombras. A organização em questão, chamada Twilight Syndicate, está envolvida em uma série de crimes de alto perfil, incluindo assaltos lendários e operações sigilosas ao redor do mundo. A missão do jogador é seguir pistas, conectar evidências e desvendar o paradeiro dos criminosos por trás do grupo.

Twilight Syndicate

A estrutura do jogo gira em torno de um modo campanha com progressão narrativa. A jornada começa com uma pista isolada que leva o detetive a uma nova localidade. A partir daí, o jogador deve explorar o ambiente, conversar com personagens não jogáveis (NPCs), solucionar enigmas e buscar informações que levem a novas descobertas. Cada fase oferece desafios únicos, exigindo raciocínio lógico, atenção a detalhes e decisões estratégicas.

Um dos destaques de Twilight Syndicate é a ênfase na tomada de decisões. As escolhas feitas ao longo do caminho influenciam diretamente o desfecho da história, mantendo o jogador imerso na busca por respostas. À medida que avança na investigação, o protagonista se aproxima do enigmático líder da organização, conhecido apenas como “The Gentleman”, cuja identidade e motivações são peças-chave da narrativa.

Com mecânicas que valorizam a dedução e a exploração, o jogo promete agradar fãs de aventuras investigativas e tramas de suspense. Mesmo com o adiamento, a expectativa segue alta para o lançamento oficial no fim de julho. Para mais informações, acesse a página oficial na Steam.

Abaixo tem o trailer de Twilight Syndicate: