Hell Clock antecipa lançamento da expansão Guerra Maldita e das versões para consoles

A Rogue Snail e a Mad Mushroom anunciaram que Hell Clock terá seu lançamento antecipado para o dia 9 de julho. A nova data vale tanto para a expansão Guerra Maldita, que chega a todas as plataformas, quanto para as versões do jogo destinadas aos consoles PlayStation e Xbox.

Junto do anúncio, as desenvolvedoras divulgaram um novo trailer de jogabilidade e revelaram a competição Hell Clock: Corrida ao Inferno, voltada para a comunidade do jogo. A iniciativa desafia jogadores a transmitirem suas partidas ao vivo e disputarem quem será o primeiro a concluir o Nível 9 do modo Pesadelos Sem Fim.

O vencedor receberá um computador gamer da Starforge Systems com gabinete personalizado inspirado em Hell Clock. As regras completas da competição estão disponíveis no servidor oficial do jogo no Discord.

Desenvolvido por um estúdio brasileiro, Hell Clock combina mecânicas de roguelike com elementos de RPG de ação. A aventura acompanha Pajeú em uma versão de fantasia sombria inspirada em acontecimentos históricos do Brasil. No jogo principal, a narrativa se passa durante a Guerra de Canudos, enquanto a expansão Guerra Maldita funciona como uma história anterior aos eventos da campanha, explorando a participação do protagonista na Guerra do Paraguai.

Entre os principais conteúdos inéditos da expansão estão um novo ato da campanha, mais de dez cenários inéditos distribuídos por novos biomas, habilidades adicionais para ampliar as possibilidades de construção de personagens, diversas relíquias inéditas e novos chefes.

O pacote também expande as atividades de fim de jogo com a chegada do modo Pesadelos Sem Fim e da versão completa do sistema Ascensão, oferecendo novos desafios para jogadores que desejam testar suas builds após concluir a campanha principal. Confira Hell Clock nas lojas da Steam, PlayStation e Xbox.

Abaixo tem o trailer de Hell Clock:

Hell Clock terá versão para consoles em julho junto com expansão inédita inspirada na Guerra do Paraguai

A desenvolvedora brasileira Rogue Snail anunciou uma nova data para a chegada de Hell Clock aos consoles. O RPG de ação com elementos roguelike será lançado para PlayStation 5 e Xbox Series X|S em 14 de julho de 2026, mesma data em que a expansão Guerra Maldita ficará disponível tanto nos consoles quanto no PC, via Steam.

A novidade foi apresentada durante o Latin American Games Showcase, onde um novo trailer revelou detalhes da expansão e das habilidades inéditas que serão adicionadas ao jogo. O conteúdo adicional amplia a narrativa de Pajeú, protagonista da aventura, levando os jogadores aos acontecimentos da Guerra do Paraguai, conflito histórico ocorrido entre 1864 e 1870.

Hell Clock

Segundo o estúdio, o adiamento ocorreu para evitar a concorrência direta com uma grande atualização de Path of Exile 2, lançada no fim de maio. A equipe afirmou que a mudança permitirá que os jogadores tenham mais tempo para aproveitar outros lançamentos do gênero antes de mergulhar na nova fase de Hell Clock.

Misturando mecânicas tradicionais dos RPGs de ação com a progressão acelerada dos roguelikes, o título apresenta uma releitura sombria de eventos históricos brasileiros. A campanha principal é ambientada durante a Guerra de Canudos e acompanha a jornada de Pajeú pelo Purgatório e pelo Inferno, enfrentando criaturas demoníacas enquanto corre contra o tempo imposto pelo misterioso Relógio do Inferno.

A expansão Guerra Maldita acrescentará um novo capítulo à história, além de mais de dez cenários inéditos, novos chefes, seis habilidades adicionais para criação de builds e mais de 80 itens únicos. O conteúdo também introduzirá sistemas avançados de endgame, voltados para jogadores que buscam desafios mais difíceis após o término da campanha principal.

Com a chegada da expansão, a Rogue Snail promete ampliar significativamente as opções de personalização de personagens e a variedade de desafios disponíveis no universo de Hell Clock. Para mais informações, acesse a página do game na Steam.

Abaixo você confere o trailer de Hell Clock: Guerra Maldita:

Hell Clock: roguelite brasileiro desafia tempo, história e habilidades do jogador

Hell Clock se destaca como uma das surpresas mais singulares do cenário de roguelites e ARPGs recentes, fundindo um universo original, estrutura desafiadora e mecânicas inovadoras em torno do conceito do tempo. Concebido pelo estúdio brasileiro Rogue Snail, o jogo entrega não apenas uma ode à história nacional, mas uma experiência que tensiona decisões a cada segundo. A seguir, uma análise aprofundada, com explanação detalhada dos pontos fortes e problemáticos que moldam a jornada.

Pajeú e o Relógio do Inferno

O sertão arde. O sol queima a terra e o sangue que nela escorre. Canudos, a cidade de barro e fé, jaz em ruínas. Foi ali que homens e mulheres, pobres, ex-escravizados, retirantes, resistiram ao peso do mundo — e ao peso do Estado. Foi ali que Antônio Conselheiro pregou esperança e construiu uma comunidade livre, até que o exército da jovem República decidiu apagá-la do mapa.

Quando a última bala silenciou a última voz, quando a fumaça se misturou às preces e às chamas, algo se partiu no tempo. É desse ponto que Hell Clock começa: no instante em que a história termina. Pajeú, desperta não no sertão, mas no inferno — um purgatório feito de poeira, ossos e demônios.

Cada inimigo que enfrenta não é apenas um monstro, mas um fragmento da memória. Eles são os gritos dos mortos, os soldados que marcharam, a fome que consumiu o povo, os preconceitos que chamaram aquele povo de bárbaro e fanático. O relógio que rege esse inferno gira sem parar, repetindo o ciclo de dor e luta — e a cada volta, Pajeú desce de novo, mais forte, mais marcado, mais perto de libertar a alma de Conselheiro.

Hellclock

Ambientação para um universo brutal

Um dos aspectos mais notáveis de Hell Clock é, sem dúvida, sua narrativa, que utiliza a Guerra de Canudos (1896-1987) como pano de fundo. A história acompanha o trágico Pajeú, na busca de recuperar a alma de seu mentor, enquanto a morte ronda cada decisão e fracasso tem consequências palpáveis. No entanto, a escolha de usar um momento histórico real é mais do que mero gatilho narrativo: insere camadas de esperança, luta e, surpreendentemente, otimismo, mesmo com a densidade temática do inferno literal e metafórico ao qual Pajeú retorna incessantemente.

Essa abordagem histórica se soma a um tom visual bastante expressivo. A arte de traços vibrantes e detalhes grotescos, mergulha o jogador num pesadelo inacabável, potencializado por uma trilha sonora que alterna entre o sombrio e o épico, criando coesão para um jogo de ação frenética. A dublagem é um ponto forte e potencializa o drama; personagens quebrados, vozes marcadas por sofrimento, encaixam-se ao contexto de guerra e resistência.

É preciso pontuar, porém, que a narrativa perde o foco em meio a ação, como é esperado. A velocidade exigida pelo relógio de Hell Clock pode fazer com que trechos da história acabem sendo rapidamente esquecidas ou ignoradas. Há quem perceba Pajeú como enigmático demais, quase impenetrável, o que pode gerar distanciamento emocional — principalmente após maratonas de sessões onde a progressão se sobrepõe à narrativa.

Em contrapartida, cutscenes, diálogos e frases de determinados personagens são capazes de apontar para um momento histórico trágico e sem esperança; a escolha de ambientar Hell Clock em uma espécie de purgatório, inferno, com um período de guerra e massacre é acertado para passar sua mensagem.

Hellclock

Além do relógio

O centro gravitacional de Hell Clock é seu sistema de tempo, que limita cada run a poucos minutos— embora a possibilidade de expandir o limite —; tal escolha resulta numa tensão constante, favorecendo estratégias rápidas e experimentais. Inicialmente, essa mecânica pode soar restritiva, mas logo mostra seu valor: acelera o ciclo de tentativa e erro, incentiva experimentação de builds e cria um senso permanente de urgência. O relógio para apenas em chefes e eventos especiais, demandando decisões cruciais sobre qual caminho tomar, qual recurso arriscar, ou se vale a pena explorar.

Cada morte serve como plataforma para novos upgrades. Coletando Soulstones, o jogador pode investir na evolução permanente de Pajeú, seja ampliando o tempo disponível, desbloqueando portais que pulam andares, ou liberando novas habilidades. As relíquias, equipáveis conforme o espaço no inventário, surgem com bônus e poderes variados — algumas transformadoras de gameplay, outras triviais. Embora o sistema de builds permita alguma variação, o meta acaba favorecendo poucos estilos realmente eficientes, algo notado sobretudo em runs avançadas e modos de maior dificuldade.

O jogo oferece alternativas que expandem a acessibilidade. Há modos Relax, que aliviam a pressão do relógio, e modo Hardcore, onde morrer apaga todo o progresso, elevando o nível de desafio. Servem para adaptar a experiência tanto para iniciantes quanto para aqueles em busca de desafio extremo — um acerto notável no design, embora a variedade de caminhos ainda dependa do equilíbrio das relíquias disponíveis nas runs.

Hellclock

Estrutura, Conteúdo e Repetição

A estrutura de Hell Clock é desenhada para partidas rápidas, mas não superficiais. O jogo conta com três atos principais, cada um com biomas, inimigos e chefes distintos — o suficiente para evitar o desgaste inicial, embora o repeteco das runs seja inevitável a médio e longo prazo. A geração procedural dos mapas, como acontece em boa parte dos roguelites, entrega resultados mistos: cenários com boa atmosfera, mas layouts repetitivos após algumas horas, o que pode cansar quem busca inovação constante na arquitetura dos níveis.

A base central, ou hub, evolui junto com o progresso do jogador. Este espaço não serve apenas como área de descanso, mas como ponto de personalização — novos equipamentos, aumento de slots de relíquias e o desbloqueio de perks via constelações tornam cada retorno ao hub recompensador, diminuindo a frustração das derrotas sequenciais. Essa sensação de avanço persistente é reforçada pelo sistema de memória, que permite redistribuir pontos e experimentar novas abordagens a cada ciclo.

Hellclock

No conteúdo pós-campanha, Hell Clock aposta em uma variedade respeitável: modos ascendentes (ascension) mudam as regras, dificultam runs e alimentam o ciclo para veteranos, enquanto eventos e side-quests fornecem camada extra à aventura. A presença de modos Hardcore e Relax reforça a longevidade. No entanto, a ausência de variedade substancial nos layouts e o design procedural pouco inspirado prejudicam o engajamento de longo prazo.

Performance, Técnica e Polimento

Apesar do design artístico bem resolvido, Hell Clock apresenta problemas técnicos que não podem ser ignorados. A performance em PCs modestos e principalmente no Steam Deck é inconsistente: quedas de FPS são comuns, especialmente nos atos finais e em cenas com muitos inimigos simultâneos. Bugs pontuais, como missões presas e problemas de colisão em chefes, também aparecem, embora não sejam impeditivos para a experiência geral. O suporte a controles é vasto e funciona bem, um ponto positivo para a acessibilidade.

O jogo impressiona em iluminação e clima, com cenas visualmente poderosas que compensam limitações na modelagem de cenários. Entretanto, a ausência de recursos básicos como escalonamento de fonte pode atrapalhar a leitura em portáteis. A trilha é competente e o mix de sons cria tensão, mesmo em momentos onde o gameplay repete padrões. A equipe responsável promete atualizações frequentes — especialmente no campo de otimização e balanceamento –, atenuando parte da preocupação técnica para o futuro.

Hellclock

Embora seu conjunto técnico não prejudique severamente o valor do jogo, é importante ressaltar que a experiência ideal só acontece em máquinas mais potentes, ou para jogadores tolerantes a soluços ocasionais. Bugs de missões inacabadas e freezes em situações de combate intenso podem gerar frustração, mas dificilmente comprometem o todo para os obstinados pelo loop de run-and-upgrade.

 

Um dos melhores títulos nacionais

Hell Clock consolida-se como uma experiência intensa, desafiante e inovadora para quem aprecia roguelites e ARPGs, sobretudo aqueles abertos a experimentação, contexto histórico e desafios que vão além do mero grind. Embora a performance inconstante, o procedural repetitivo e a limitação nas builds sejam pedras no sapato, a criatividade do design, a força da ambientação e a estrutura de progresso recompensador tornam o jogo uma adição distinta e memorável ao gênero.

 

Texto por: Fernando Paixão Rosa