Presidente Lula regulamenta “Marco Legal dos Games” e anuncia incentivos para o setor

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (14), no Palácio do Planalto, o decreto Desenvolve Gamers Brasil, que regulamenta o Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos (Lei nº 14.852/2024). A medida prevê ações para facilitar o financiamento de desenvolvedoras, ampliar a formação profissional e fortalecer a produção brasileira de jogos.

Entre as novidades estão propostas de crédito com juros reduzidos, incentivos fiscais, investimentos em inovação e a criação de uma plataforma gratuita para divulgar títulos nacionais. As iniciativas buscam fortalecer os estúdios brasileiros e ampliar a presença de seus jogos no mercado.

Presidente Lula regulamenta o Marco Legal dos Games
Presidente Lula regulamenta o Marco Legal dos Games

Crédito e incentivos para jogos brasileiros

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) pretende propor a redução do valor mínimo dos empréstimos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), de R$ 500 mil para R$ 150 mil. A proposta também prevê diminuir os juros de TR mais 2% para TR mais 0,5% ao ano. O fundo tem previsão de R$ 460 milhões em crédito para a indústria audiovisual em 2026, incluindo os games.

Para 2027, o Ministério da Cultura prevê duas iniciativas de captação pela Lei do Audiovisual, com estimativa de R$ 50 milhões cada. Os recursos serão destinados à infraestrutura de desenvolvimento e ao apoio à produção, ao lançamento e à comercialização de jogos independentes.

Outra novidade é o Rouanet Games, programa que oferecerá orientação e capacitação para desenvolvedores interessados em buscar patrocínios por meio da Lei Rouanet.

Para a comunidade gamer, o fortalecimento dos estúdios nacionais pode favorecer o surgimento de novos títulos e ampliar a diversidade de jogos disponíveis. Entretanto, os resultados dependerão da implementação das medidas e do acesso efetivo das empresas aos recursos.

Presidente Lula regulamenta o Marco Legal dos Games
Marco Legal dos Games

Game Brasil vai reunir informações sobre jogos nacionais

O decreto institui o Game Brasil, plataforma pública e gratuita que reunirá informações sobre jogos brasileiros, seus desenvolvedores e as plataformas em que estão disponíveis. O investimento inicial previsto é de R$ 1,4 milhão.

A iniciativa poderá facilitar a descoberta de produções nacionais, especialmente de estúdios independentes que possuem menos recursos para divulgação. Com maior visibilidade, esses jogos poderão alcançar novos públicos e ampliar suas oportunidades de comercialização.

O governo também prevê a criação de cursos de graduação relacionados ao desenvolvimento de jogos em cinco universidades federais, com 230 vagas pactuadas. A partir de 2027, a Escola Solano Trindade de Cultura e Economia Criativa deverá oferecer seis cursos específicos, incluindo formações em desenvolvimento de jogos digitais.

Na área de inovação, a Finep propõe uma chamada pública de R$ 200 milhões para apoiar startups que desenvolvam jogos e soluções digitais. Também está previsto o programa Talentos, com estimativa de R$ 100 milhões em investimentos privados entre 2027 e 2028 para capacitação em inteligência artificial, computação gráfica e realidade virtual. A execução dessas iniciativas depende das aprovações e regulamentações necessárias.

Marco Legal dos Games
Marco Legal dos Games

Decreto também prevê proteção aos jogadores

A regulamentação inclui diretrizes de proteção à saúde dos usuários, prevenção de riscos associados ao uso de jogos eletrônicos e acessibilidade. A proteção de crianças e adolescentes deverá observar as normas do ECA Digital.

O texto também contempla medidas para simplificar a importação de ferramentas utilizadas no desenvolvimento de jogos e fortalecer a proteção da propriedade intelectual. Um comitê interministerial deverá acompanhar a implementação das políticas para o setor.

Essas medidas podem contribuir para um ambiente de jogos mais acessível e seguro, embora sua aplicação dependa de regulamentações complementares e da atuação dos órgãos responsáveis.

Brasil é um dos principais mercados de games

Segundo dados da consultoria Newzoo citados pelo governo, o Brasil tinha aproximadamente 123,3 milhões de jogadores em 2025 e movimentou US$ 2,7 bilhões no setor, ocupando a nona posição mundial em receita.

O número de desenvolvedoras brasileiras passou de 133, em 2014, para 1.042, em 2023. Apesar do crescimento, o financiamento continua sendo um desafio: pesquisa da Abragames e da ApexBrasil apontou que 60% das 297 empresas consultadas nunca haviam utilizado recursos públicos para financiar suas atividades.

Com a regulamentação do Marco Legal dos Games, o governo busca ampliar as oportunidades para desenvolvedoras brasileiras e fortalecer a indústria nacional. Para os jogadores, as medidas poderão facilitar o acesso a produções locais e contribuir para a chegada de novos títulos ao mercado.

“Winged”: jogo brasileiro que une literatura e games chega ao mobile

Nesta quarta-feira, 15 de janeiro, o jogo brasileiro “Winged” estreia nas plataformas Android e iOS. Criado pela Druzina Content em parceria com a Sorora Game Studio, o jogo combina ação, aventura e literatura, convidando jogadores a explorarem clássicos literários enquanto enfrentam desafios em mundos mágicos.

Em “Winged”, os jogadores controlam Rute, uma garota apaixonada por livros. Sua missão é coletar páginas espalhadas pelas fases para desbloquear versões adaptadas de obras como Alice Através do Espelho, O Pequeno Príncipe, Dom Quixote, entre outros. Cada uma das cinco fases do jogo foi inspirada em dois livros diferentes, criando mapas, obstáculos e chefes de fase temáticos.

Além da proposta educativa, o game inova ao incluir elementos de acessibilidade e diversidade. Disponível em sete idiomas, “Winged” foi desenvolvido por uma equipe majoritariamente feminina. Luciana Druzina, criadora e game designer, destaca o cuidado especial na criação de um conteúdo que fosse envolvente e apropriado para todas as idades, refletindo o protagonismo feminino na indústria de games.

O jogo, que custa R$ 4,90, oferece 50 fases, cinco mundos e dez livros na biblioteca inicial. Entre as obras exploradas estão João e o Pé de Feijão, Scheherazade e as Mil e Uma Noites e Vinte Mil Léguas Submarinas. Após completar os estágios, os jogadores podem ler os livros adaptados diretamente no jogo, reforçando a conexão entre literatura e interatividade.

“Winged” também acumula conquistas antes mesmo de seu lançamento, incluindo a vitória no edital Narrativas Transmídias para Infância e Juventude, promovido pelo Ministério da Cultura em parceria com a Ancine. O jogo foi exibido em eventos internacionais, como a Tokyo Game Show e a GamesCom, recebendo elogios por sua proposta única.

Luciana revelou ainda que uma sequência do jogo já está em desenvolvimento, desta vez focada exclusivamente em obras de autores brasileiros. “Winged” já está disponível para download na App Store, Play Store e Galaxy Store. Para mais informações, acesse o site oficial.

Abaixo tem o trailer de Winged:

ANCINE permanece paralisada. Como isso impacta a indústria de jogos eletrônicos?

Na última semana a ANCINE (Agência Nacional do Cinema), que já está em processo de reestruturação desde 2019 quando o atual governo de Jair Bolsonaro assumiu o Planalto, anunciou ainda em 2019 uma medida que assustou parte da comunidade de produtores de cinema: a paralisação de todas as análises do plano gestão anual de 2020. Conforme já analisado pelo site O Globo, a ação deve começar a impactar a produção de filmes a partir do segundo semestre deste ano, mas se seguir neste ritmo apresentará todo seu impacto a partir do segundo semestre de 2020.

De acordo com matéria publicada pelo Tecmundo em agosto de 2019, a Ancine já vinha capengando a olhos vistos, de modo que a produção de filmes estavam completamente paradas pela falta de recursos advindos da FSA (Fundo Setorial do Audiovisual). Normalmente a verba é liberada no início do ano e ao longo de todo o ano passado nenhum edital foi publicado, cenário que deve se repetir em 2020, visto a paralisação das análises do plano gestão permanecem. Nada de filmes da Bruna Surfistinha, conforme promessa de campanha, tá ok? Mas e como isso impacta a indústria de games?

Conforme bem lembrado pelo Drops de Jogos, a ANCINE conta apenas com um dos quatro diretores em seu quadro de funcionários e para a análise da produção de audiovisual é necessário que haja deliberação coletiva, conforme regimento interno da instituição. Um despacho do dia 30 de dezembro, apurado pela revista Época, deixa bem claro que as atribuições da agência permanecem suspensas.

Atualmente, o único diretor da agência é Alex Braga e sua vida não está fácil devido a desentendimentos com membros do governo. Uma vez que a produção de filmes, algo de extrema importância cultural, é ignorado, o que dizer da produção de jogos eletrônicos? Há quem ainda veja os jogos eletrônicos como meras distrações sociais e em um momento de contenção de gastos é improvável que algum edital beneficiando os produtores de jogos seja publicado, mesmo em um hipotético cenário em que a ANCINE contasse com seus quatro diretores.

“É essencial investir neste promissor mercado, valorizando inclusive a diversidade de produção criativa brasileira, o que estamos fazendo ao promover cotas regionais nos editais”, afirmou, à época, o então ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão.

De acordo com apuração do Drops de Jogos, ainda no final de 2018, sob o governo Temer, a ANCINE publicou edital disponibilizando R$ 35 milhões para a produção e comercialização de jogos e projetos de VR e AR. Os dias de glória ficaram para trás, agora são os dias de luta.