Grandes Estúdios Brasileiros de Games #03: Cat Nigiri

Cat Nigiri

Em 2017 um estúdio de Florianópolis, SC, conquistou bastante projeção nacional após o sucesso de dois jogos (Keen e Necrosphere). A Cat Nigiri recebeu nomeações importantes em eventos de grande porte como a SBGames São Paulo, SBGames Porto Alegre e o BIG Festival.

O mérito foi criar jogos divertidos, porém diferenciados em suas estéticas e objetivos. Formado em 2012, a Cat Nigiri tem por objetivo unir mecânicas simples com gameplay inovadores, e deu certo! Hoje vamos ver um pouco da visão desses talentosos desenvolvedores que já são reconhecidos como um dos principais do Brasil.

 

Qual o significado do nome Cat Nigiri?

Temos duas versões.

A primeira é sobre um nome aleatório que soasse “indie o suficiente” para um grupo de amigos que precisavam de um nome para o estúdio.

A outra –– que contamos para investidores –– é sobre um gato que é ágil, esperto, pequeno e muito fofo, assim como o nosso time. Além disso, o nigiri é uma comida simples (fatia de peixe, bolinho de arroz e raiz forte) que requer muita habilidade para fazer.

Só escolher a versão que você prefere.

 

O que levou vocês a essa vida de videogames?

Paixão, persistência e muito entusiasmo. Um pouco de inocência, também.

 

É difícil desenvolver games fora do eixo Rio-São Paulo?

Não. É bem tranquilo. Está cheio de cariocas e paulistas por aqui em Floripa, de qualquer forma.

 

Se vocês tivessem dinheiro infinito para contratar qualquer produtor de games do mundo, quem seria? Por quê?

Nenhum destes famosos. Gostamos de fazer os jogos do nosso jeito.

 

Afinal de contas, a quantas anda o mercado de jogos no Brasil? É uma época boa para investir no mercado/carreira? Ou é melhor vender açaí mesmo?

Ocorreram algumas coisas muito interessantes neste último ano:

Incentivos governamentais como Ancine e Finep que dão credibilidade para a nossa indústria de desenvolvimento de jogos.

Baixa dos juros que vai fazer muita gente tirar o dinheiro dos bancos e realmente investir em algo produtivo.

Leis específicas para promover o investimento-anjo em pequenas empresas.

Mudanças nas leis que facilitam a contratação de profissionais.

Montar uma barraca para vender açaí pode ser um bom investimento, também. Parecer ser uma hora boa para empreender.

 

Muitos dos seus jogos seguem um estilo de arte mais cartoon, já tentaram fazer algo puxado para o realismo?

Ainda não. Realismo é bem mais custoso. O nosso foco é sempre o gameplay.

 

Tanto o Keen quanto o Necrosphere receberam nomeações para o BIG Festival e outros eventos. Vocês ficaram surpresos com o sucesso de crítica e público?

Ficamos surpresos e agradecidos. Infelizmente, troféu não compra pão. Tivemos aclamação tanto aqui como lá fora, porém as vendas de Necrosphere para PC ainda não chegaram onde esperávamos.

 

O Necrosphere é bem difícil (mesmo). Qual foi a maior inspiração para o projeto?

O ódio dentro do coração do Caio, junto com Metroid, VVVVVV e um pouco de Twin Peaks.

 

O que é mais importante para um game: gráficos ou jogabilidade?

Somos desenvolvedores de jogos, portanto o mais importante é jogabilidade. Se fossemos desenvolvedores de gráficos, talvez fosse o contrário.

 

Qual o jogo mais surpreendente que vocês já jogaram?

O último que o time comentou bastante foi Super Mario Odissey e Doki Doki Literature Club.

 

É muito difícil manter um estúdio de games aberto por tantos anos no Brasil?

Fase mais longa e difícil que já tivemos em nossas vidas.

 

Vocês possuem carreiras paralelas ou já é possível sobreviver apenas com os games?

Já tivemos diversos day jobs para pagar as contas do estúdio, hoje, felizmente, com investidores interessados, podemos sobreviver 1 ano de desenvolvimento. Para os próximos anos, precisamos emplacar um jogo lucrativo.

Quanto tempo leva o processo de criação de um game, mesmo que este possua mecânicas simples?

Depende do jogo. Game jams normalmente levam 2 dias. Necrosphere para PC foi feito em 10 meses. Keen 3 anos.

 

Muita gente acredita que os jogos japoneses não possuem a mesma força de outrora. Vocês jogam títulos orientais? Alguma coisa que ninguém conhece e merece destaque?

Mentiras. Só ver Legend of Zelda Breath of the Wild e Super Mario Odissey.

 

Qual o segredo para o produtor iniciante conquistar um espaço em meio aos milhares de games que surgem todos os dias na Google Play?

Esta é uma pergunta que adoraríamos ter a resposta. Nossa palpite é fazer jogos realmente engajantes e com qualidade.

 

Qual a formação necessária para conquistar aquele emprego dos sonhos em um estúdio de renome no Brasil?

Nenhuma em específico. O principal é ter lançado jogos.

 

Alguma dica para quem não consegue terminar o Necrosphere?

Tente novamente!

 

 

Agradecimentos o Nando Guimarães, CEO da Cat Nigiri, que atendeu prontamente nossa equipe!


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Autor: Luiz Ricardo de Barros Silva

Luiz Silva, jornalista de games formado pela Universidade Paulista. Já escreveu para as revistas da Tambor Digital (EGW, Gameworld), para o site Player 2 entre outras coisas. "Sou um entusiasta por videogames, apesar de jovem já tive até um Atari, minha série favorita é Silent Hill".

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