Hoje vamos falar sobre o jogo indie Green’s Mission, criado pela Carla Bispo. Trata-se de um shmup com uma estética mais simplista, onde o jogador acompanha a aventura de Green, uma jovem hacker que é forçada a embarcar em uma nave espacial e passar por ambientes hostis repletos de obstáculos. A intenção é unir uma narrativa densa com um gameplay divertido a fim de entregar um título bastante imersivo.
O game é indicado para quem curte a mistura de infinite runner, plataforma e shooter. O design das fases é bem simples, de modo que a Carla priorizou o gameplay para que o jogador tenha uma experiência divertida e casual. O design das fases até lembra os jogos da geração 8-16 bits. Um prato cheio para quem curte uma experiência mais retrô.
Durante a jornada de Green ela encontra com Bily, que serve como sidekick nas primeiras fases. A grande missão é desvendar uma mensagem encriptada que fora enviada para Green. Green’s Mission está disponível para download através do Itch.io.
Hoje vamos falar de um game indie que tem potencial para agradar qualquer tipo de jogador. Candy and Tricks, da Gutierrez Games, é um jogo de puzzle e aventura que conta a história de um gato preto que tenta voltar para a casa de sua dona, uma bruxa. Porém, essa aventura não será fácil, pois para chegar em seu destino ele precisa enfrentar diversos desafios em um cenário de fantasia repleto de referências ao Halloween.
Candy and Tricks conta com 60 fases e foi criado para proporcionar uma desafiadora aventura ao jogador. O jogo foi elaborado para ter uma gameplay de 24h, onde o jogador encontrará desafios extremamente difíceis em que ele deverá usar estratégias criativas e muita agilidade para concluir suas fases. De acordo com Antonio Gutierrez, criador do game, o projeto traz de volta a jogabilidade divertida e desafiadora de um dos clássicos da web: “O Jogo mais difícil do Mundo”, porém com novos recursos.
“Desde nossa infância cultivamos o sonho de criar uma empresa de jogos bem sucedida. Já desenvolvemos diversos outros projetos, mas Candy and Tricks é o primeiro a ser produzido com o objetivo de ir para mercado de jogos. Com a ajuda de diversos mentores e usuários nos fornecendo excelentes feedback sobre o jogo, estamos aprendendo a cada dia que passa mais sobre nosso sonho”, conta Rodrigo Gutierrez, CEO da Gutierrez Games.
O grande desafio é vencer as diversas fases morrendo o menor número de vezes possível. Quanto mais rápido, melhores são os prêmios recebidos ao final das fases e há ainda recompensas a serem coletadas que facilitam a vida do jogador. Se você gosta de alto desafio e jogos com estética retrô, dê uma olhada no que os irmãos Gutierrez fizeram aqui após quatro anos conquistando editais públicos e sendo finalistas em competições na área de games.
Para quem não conhece, a Gutierrez Games é uma produtora paulista com dois jogos e dois aplicativos na Play Store. Dentre eles The Infection, jogo casual onde o jogador é um vírus que tenta sobreviver dentro da corrente sanguínea e Recado Para Você, aplicativo de frases motivacionais diárias.
Flat Kingdom é o tipo de game que chega para suprir os desejos de quem espera por bons jogos de plataforma, mas que não encontravam boas opções no mercado. Desenvolvido pelo estúdio mexicano Fat Panda (e lançado oficialmente em 2016), o título finalmente chegou ao Brasil com legendas em português graças a uma parceria com a Games Starter. Basicamente o jogo se passa em um mundo 2D bem ao estilo papercrafted, com inspirações óbvias na franquia Super Mario Bros, da Nintendo, tanto nos visuais quanto no início da história, mas as semelhanças param por aí.
A trama começa quando um estranho mascarado sequestra a princesa do reino. A partir dai o jogador assume o papel de Flat, um cavaleiro que é incumbido pelo Rei Quadrado a resgatar a Princesa Tri. Apesar de ser um conto sobre resgatar uma princesa em apuros, a trama é mais densa e no desenrolar o jogador descobre a verdadeira motivação do vilão mascarado chamado Hex, que almeja reunir joias mágicas a fim de tornar-se o ser mais poderoso do reino de Flat. A história é recheada de perseguições entre o herói e o vilão mascarado e acontecimentos fantásticos.
Há várias cutscenes belíssimas que explicam a jornada de Flat, porém é justamente nesses momentos que vemos as falhas mais evidentes do game: é normal que ocorram travamentos e quedas na qualidade de animação. O problema é que fatos relevantes da história são apresentados nas animações, deixando a impressão de que os desenvolvedores poderiam ter maior atenção neste aspecto.
A história também pode ser acompanhada através de uma coleção de pergaminhos e documentos que são encontrados nos diversos cenários. Esses documentos servem como um diário de bordo, incluindo detalhes da história, pensamentos de Flat e descrição de cada personagem, inimigos e vilões. Lembra um pouco o sistema de Kingdom Hearts, da Square-Enix.
Gráficos são o grande destaque
Talvez o que mais chame as atenções são os aspectos gráficos, pois o game tem um estilo cartunesco bastante agradável, com cores belíssimas e riqueza de detalhes. Podemos dizer que Flat Kingdom é na verdade um game 2,5D, pois ao passo que os personagens são totalmente em 2D, o mundo do game tem aspectos em três dimensões. Essa direção de arte está totalmente interligada com a história do jogo e torna o estilo artístico ainda mais interessante. Os gráficos são simples, lembrando até games mobile, porém eficazes (pense em algo como FEZ, porém sem a mesma profundidade).
O sistema de combate é inspirado no antigo jogo infantil jokenpô: o jovem Flat é capaz de trocar sua forma física para Circulo, Quadrado e Triangulo. O macete é que cada um dos inimigos que surgem no caminho deve ser derrotado por uma determinada forma. Cabe ao jogador trocar para a forma apropriada a fim de derrotar o inimigo que estiver no caminho, levando em consideração que muitos deles têm pontos fracos, à lá, Shadow of the Colossus.
Sistema de combate diferenciado
Funciona da seguinte forma: basicamente ao se aproximar de um inimigo, você deve assumir a forma geométrica oposta à dele, seja para atacar ou se defender. Círculo vence o quadrado, o quadrado vence o triângulo e o triângulo vence o círculo. Portanto você deve pensar e agir rápido para derrotar os inimigos. Este elemento torna o combate mais estratégico e diferente de qualquer outro platformer que você já viu.
Os controles são fáceis de aprender, o que torna a jogatina agradável. Dificilmente você vai se atrapalhar com os comandos, mesmo nos momentos em que precisará de reflexos rápidos. Esta simplicidade também pode ser vista nos puzzles que Flat deve resolver: eles não vão consumir muito tempo do jogador, mas conseguem manter o interesse nos momentos em que não há combates.
A trilha sonora é de respeito e merece atenção especial do jogador, pois foi composta por nada menos que Manami Matsumae, a mesma que assina as trilhas de Shovel Knight e Might No. 9. Não são muitas as canções, mas elas são bem feitas e embalam bem os momentos da aventura, alternando entre ação, alegria e mistério.
Os pontos negativos
Infelizmente nem tudo são flores em Flat Kingdom. Apesar de bastante divertido, a duração deixa a desejar: você levará cerca de seis horas para concluir a aventura e o fator replay é bastante baixo, visto que são pouquíssimos capítulos e o desafio não é lá muito alto. Parece que a Fat Panda quis tornar o game amistoso para jogadores mais jovens. O problema é que a maioria dos jogadores de plataforma são ávidos por desafios e combates ferrenhos. Apenas alguns chefões oferecem alguma dificuldade real, mas nada que tire o sono do jogador.
Cada um dos mundos conta com três níveis, mas o jogador só conseguirá passar por todos eles ao obter as variadas habilidades especiais como pulo duplo/triplo, destruir paredes etc. Deste modo, é normal que algumas fases fiquem para trás. O problema é que quando você está quase no final do game, você é obrigado a retroceder ao início a fim de passar todos os níveis que ficaram para trás, tornando o gameplay repetitivo.
Veredicto
Flat Kingdom é um game bastante divertido e que supre a necessidade dos fãs de bons jogos de plataforma. A direção de arte é fabulosa e o sistema de combate inspirada em jokenpô é bastante criativa e bem executada. Uma pena que o game seja curto e o fator replay seja baixo.
Ainda que tenha alguns pormenores, você vai se divertir bastante graças ao mundo fantástico e as batalhas contra os chefões. A história também é agradável, apesar de não ser original, de modo que o jogador vai ficar atento do inicio ao fim. O jogo cumpre seu papel e diverte fãs de plataforma que esperam produtos originais e com identidade própria. O título está disponível na plataforma Steam nas versões Standard e Deluxe, que acompanha o soundtrack e um digital Artbook.