Demissões no NerdBunker refletem crise no jornalismo cultural e reestruturação do Jovem Nerd

Na última terça-feira (27), o NerdBunker, divisão de jornalismo do universo Jovem Nerd, passou por uma reformulação significativa com o desligamento de cinco profissionais da equipe de redação. A informação foi confirmada por fontes internas e posteriormente oficializada pela empresa, que justificou a medida como parte de um processo de reestruturação da marca.

“Essa decisão foi tomada com base em uma análise cuidadosa do cenário atual e dos objetivos estratégicos da marca”, informou o Jovem Nerd em nota. A empresa destacou que o portal segue ativo e que pretende continuar cobrindo o universo da cultura pop com “entusiasmo e criatividade”, ao mesmo tempo em que promove ajustes em seu modelo de produção de conteúdo para atender às novas demandas do mercado e da audiência.

A redação do NerdBunker, que chegou a ter sede física em São Paulo e realizou coberturas internacionais, era responsável por pautas jornalísticas sobre entretenimento, tecnologia e games. O canal no YouTube reúne mais de 158 mil inscritos e o Instagram acumula 300 mil seguidores — em contraste com os números mais expressivos do Jovem Nerd, com 2,5 milhões de inscritos no YouTube e 600 mil no Instagram.

A decisão está inserida em um contexto maior de desafios enfrentados pelo jornalismo cultural e especializado. De acordo com a jornalista Maria Eduarda Cury, o fechamento de mais uma redação formada por profissionais experientes reflete um mercado cada vez mais restrito para a atuação jornalística tradicional, especialmente no segmento de jogos eletrônicos.

“Nas redes sociais, a desinformação e o consumo rápido de conteúdos superficiais são valorizados, dificultando a sobrevivência de trabalhos jornalísticos que demandam análise e tempo”, afirma Cury. “Muitos profissionais, em busca de sustentabilidade, acabam migrando para formatos de vídeo e atuação como influenciadores, o que representa uma transformação profunda na prática do jornalismo”.

A reestruturação também deve ser compreendida no contexto empresarial. Em 2021, o Jovem Nerd foi adquirido pela Magazine Luiza, durante um período de forte expansão da varejista. Desde então, no entanto, a Magalu viu seu valor de mercado despencar de R$ 35 bilhões para R$ 4 bilhões, enfrentando dificuldades financeiras e promovendo cortes em operações não diretamente ligadas ao varejo. A empresa também é responsável pelo Canaltech, outro veículo impactado por reestruturações.

Apesar dos cortes, o Jovem Nerd reafirma seu compromisso com a produção de conteúdos de qualidade e anunciou que seguirá investindo em projetos especiais, como a produção de audiodramas e o desenvolvimento do primeiro longa-metragem da marca, A Própria Carne. Esses movimentos fazem parte de uma tentativa de ampliar o alcance e diversificar as formas de engajamento com o público.

O site Drops de Jogos, responsável por revelar os desligamentos, defende que é importante dar visibilidade a essas movimentações para que os profissionais impactados possam ser rapidamente reconhecidos pelo mercado. Entre os jornalistas desligados estão Camila Sousa, Tayná Garcia, Jessica P., Gabriel Avila e Paloma Pinheiro — nomes que contribuíram de forma significativa para a cobertura de cultura pop e devem ser lembrados por futuros empregadores.

A crise no NerdBunker evidencia um momento delicado para o jornalismo cultural no Brasil, pressionado por mudanças tecnológicas, transformações no consumo de mídia e instabilidades econômicas. Resta saber quais caminhos o setor encontrará para garantir a continuidade da produção crítica e informativa em um cenário dominado por algoritmos, superficialidade e desinformação.

BIG Festival se alia ao Magalu para apoiar jogos independentes nacionais

O BIG Festival, o maior festival de games da América Latina, em parceria com o Magalu, maior plataforma multicanal de varejo do Brasil, acaba de anunciar mais uma iniciativa de apoio ao desenvolvimento nacional de jogos eletrônicos. O projeto vai apoiar jogos casuais novos, prontos ou ainda em processo de criação, através de mentorias e suporte financeiro. Trata-se de uma iniciativa inédita, que aposta na força da indústria brasileira de games.

De Acordo com as organizações, serão dois tipos de seleção, uma para jogos novos, ou seja, ainda em desenvolvimento e em processo de criação, e outra para jogos já jogáveis, seja com demos ou finalizados, porém ainda não lançados. Na chamada de jogos novos, serão selecionados até nove projetos que receberão investimentos e mentoria do BIG Festival para melhoria do produto. Caso os jogos passem em testes de recepção, serão publicados com promoção do Magalu em suas redes sociais e canais, como o Superapp Magalu, Canaltech e Jovem Nerd, alcançando dezenas de milhões de usuários.

Para os jogos prontos, não há limite determinado de quantos projetos serão selecionados. Trata-se, porém, de uma chamada piloto, que servirá de base para outras chamadas futuras. Os jogos selecionados serão publicados com divulgação do Magalu, podendo, em alguns casos, receber aportes para melhoria do jogo.

“As chamadas foram desenvolvidas levando em consideração diversas pesquisas realizadas com os estúdios que enviaram jogos ao BIG Festival nos últimos anos. Identificamos diversos gargalos apontados principalmente pelos estúdios brasileiros, que têm muita dificuldade de acesso a recursos para desenvolvimento, promoção e melhoria de seus jogos. As chamadas procuram atender justamente essas demandas, mantendo uma participação justa dos estúdios nos resultados dos jogos”, afirma Gustavo Steinberg, Diretor do BIG Festival.

As inscrições podem ser feitas gratuitamente até o dia 17 de dezembro aqui.

 

Parceria BIG e Magalu

O BIG Festival será responsável por dar todo o suporte operacional às chamadas, ou seja, desde a seleção dos jogos até a mentoria para a melhoria dos produtos, enquanto que o Magalu atuará com um modelo novo de publishing, criando jogos novos para seus usuários e utilizando sua força de mídia.

“O Magalu tem o desafio de digitalizar o Brasil levando ao acesso de muitos, o que é privilégio de poucos. Nada melhor do que fomentar a produção de Jogos brasileiros, em um dos mercados que mais cresce recentemente e com potencial de ter uma relevância mundial”, disse Thiago Catoto, Diretor do Magalu.

Além das chamadas em parceria com o Magalu, as inscrições para a 10ª edição do BIG Festival estão abertas e o prazo para inscrever jogos vai até 28 de fevereiro de 2022. Para se inscrever, basta acessar o site do BIG.